Saturnino Braga


ARTIGO: A NOVA DEMOCRACIA NO CONGRESSO DO CENTRO CELSO FURTADO
ARTIGO: O ÓDIO NA POLÍTICA
ARTIGO: ENERGIA E CRIATIVIDADE
ARTIGO: SOBREVIVÊNCIA
ARTIGO: A IMPORTÂNCIA DA DIMENSÃO POLÍTICA NO DESENVOLVIMENTO
ARTIGO: O AMOR CIDADÃO
ARTIGO: NA POLÍTICA: BONS VENTOS PARA OS DUZENTOS ANOS
ARTIGO: JORNADA DE SEIS HORAS
ARTIGO: O MISTÉRIO DA LITERATURA
ARTIGO: UM NOVO MUNDO
ARTIGO: O DESENVOLVIMENTO SOCIAL
ENTREVISTA: NAÇÃO BRASILEIRA QUER UM ESTADO QUE SEJA PRESENTE E ATUANTE
ENTREVISTA: ROBERTO SATURNINO BRAGA, DEPOIS DA POLÍTICA, FINALMENTE NA IDADE DA RAZÃO
CONTO: SABER
CONTO: OS PRIMOS DE SÃO CRISTÓVÃO
CONTO: A BRIGA
CONTO: O TREZE
CONTO: O DOCEIRO DA CUPERTINO
CONTO: O PORTEIRO NEGRO
CONTO: MARTIN
CONTO: O FOTÓGRAFO
CONTO: MARCHAS ANTIGAS
CONTO: AMERICO DA PRAIA DO PINTO
CONTO: O SORRISO DE JORGINA
CONTO: AQUELE SENTIMENTO
CONTO: A MULHER MÔNICA
CONTO: DOIS BEIJOS
CONTO: MINDINHA
CONTO: IMELDA
CONTO: A DECISÃO
LIVROS
ARTIGO: O DESENVOLVIMENTO SOCIAL


Há uma forte ascensão social no Brasil, tão noticiada e evidente que dispensa comprovação de dados estatísticos. Essa ascensão resulta da ação de alavancas econômicas reconhecidas: o crescimento do emprego; o crescimento dos salários e das rendas do trabalho puxado pela valorização do salário mínimo; as transferências feitas pelo sistema previdenciário universalista; vários programas de redistribuição de renda sendo o Bolsa-Família o mais importante; o acesso mais fácil das famílias ao financiamento bancário. Como há também a ação de alavancas eminentemente sociais, como os vários conselhos criados juntamente com dispositivos legais de promoção da igualdade racial e da igualdade de gênero; outros de combate à violência contra mulheres, contra homossexuais e contra crianças e adolescentes.

Essa gigantesca movimentação social que transferiu dezenas de milhões de brasileiros da pobreza para a condição de dignidade resultou, sim, em última instância, de uma decisão política da sociedade de retomar o comando da economia pelo Estado para promover, planejadamente, o desenvolvimento segundo um novo modelo que prioriza a redistribuição da riqueza nacional em busca de mais justiça, admitindo taxas mais modestas de crescimento do PIB. Desta maneira, politicamente, pela via democrática, criou-se no Brasil um enorme contingente de classe média nova que constituirá, com certeza, uma verdadeira fortaleza contra novos atentados à democracia e, ademais, uma força de empuxo para aperfeiçoamentos dessa democracia em direção a formas mais participativas, isto é, mais democráticas.

A primeira etapa do desdobramento desta formidável ascensão tem que ser a universalização do ensino médio. É desdobramento e exigência; é o alicerce sólido desta nova classe média, coluna vertebral da nova sociedade e da Nação.

Evidentemente houve também grande progresso nesta área: a taxa de escolarização dos jovens de 15 a 17 anos, que era de menos de 60% no início dos noventa hoje ultrapassou bem a faixa dos 80%; mas é preciso chegar bem mais perto dos 100%. É condição absolutamente necessária: são 1,5 milhões de novas matrículas a preencher rapidamente. A qualidade também melhorou, como atestam os resultados do ENEM (o Exame Nacional do Ensino Médio). Pois que continue melhorando. Necessariamente.

O conhecimento, pelo lado econômico tão decantado na mídia, é o capital mais importante de um povo no seu trabalho produtivo. Da perspectiva política e humanística, de outro lado, não tão enfatizado, é o fator mais importante, decisivo mesmo, para a compreensão do mundo, a busca da felicidade e o exercício da cidadania numa sociedade. A existência dessas duas perspectivas enseja o debate entre as posições que priorizam ora a formação geral, ora a formação profissional no ensino médio.

É saudável que esta polêmica se desenvolva desde que seu resultado seja a priorização de ambos os tipos de ensino; desde que o ensino profissional seja gratuito mantendo a boa qualidade do que é ministrado pelas entidades patronais do sistema S; e desde que este ensino profissional tenha um mínimo de conteúdo humanístico que conduza o jovem à maturidade social ademais da perícia no seu trabalho.

É saudável, também, a polêmica mais atual sobre o uso das novas tecnologias para o alargamento da abrangência do ensino médio e superior.

Não sou dos que condenam o ensino à distância como algo necessariamente limitado na sua capacidade de transmitir humanidades, além das técnicas. A limitação, a meu juízo, não está neste ponto mas no fato de serem os cursos à distância um tipo de aprendizado solitário, que retira o estudante da convivência, tão absolutamente necessária na juventude, o momento vital propício às amizades e às afeições, ao aprendizado da convivência humana. O processo da educação compreende, obrigatoriamente, o ensino do diálogo, e o ensino à distância é próprio para pessoas maduras, que já ingressaram no mundo do trabalho, tendo ou não aprendido a dialogar e a conviver.

A leitura e o comentário de obras literárias, na medida em que mostra diferentes aspectos do grande diálogo da vida humana, pode suprir carências e enriquecer muito a capacidade de compreensão dessas pessoas que ultrapassaram a chamada idade escolar e procuram o conhecimento à distância. Essa leitura deveria ser obrigatória nesses cursos de formação na fase adulta. E obviamente, constituindo parte essencial das referidas Humanidades, é de importância decisiva também na formação da juventude.

A compreensão de que a educação primordial ensina sobretudo o diálogo deve estar presente especialmente na mente dos professores e conformar toda a sua atividade em sala de aula. Deve presidir toda a política de educação de uma nação democrática que quer ser cada vez mais democrática.

A Democracia é o diálogo construtivista que se funda na efetiva igualdade dos interlocutores, com seus interesses e expressões reconhecidos mutuamente em plenitude. As tecnologias novas podem e devem servir à construção desse modelo mais democrático que será a grande realização da Humanidade no novo século, podendo o Brasil ter um papel da maior importância nessa construção, impelido precisamente por esse dinamismo social de sua nova política.

O mundo, postado num interregno de crise, aguarda indicações de rumo. A América do Sul, com um presidente operário no Brasil ainda em plena liderança; um presidente revolucionário na Venezuela recentemente desaparecido mas com sua imagem ainda viva; um presidente índio na Bolívia ainda no poder; um presidente filósofo no Uruguai que abre caminhos novos para o mundo; um presidente que constrói a Cidade do Saber no Equador; e uma presidenta socialista que retorna ao poder no Chile para remodelar toda a educação e a previdência; esta nova América do Sul, que os elegeu, a todos eles, pelo livre voto popular, este novo Continente aponta novos rumos, e certamente será observado e escutado pela outra parte mergulhada na crise.




Minha PáginaDados PessoaisBiografiaCurrículoCondecoraçõesPublicaçõesCorreios